
Quando microorganismos (geralmente bactérias, como os staphylococcus e streptococcus) causam uma infecção localizada no cérebro, há uma inflamação em resposta à infecção, com a morte de alguns tecidos no cérebro (necrose). Os fluidos, as células de tecidos destruídos, os glóbulos brancos e os microorganismos vivos e mortos acumulam-se e formam uma massa. Esta massa, em geral, fica anexada (encapsulada) por um revestimento (membrana) que se forma nos limites da coleta de fluidos.
Há um inchaço dentro do cérebro em resposta à inflamação, e a massa pode exercer uma pressão sobre as estruturas do cérebro. O material infectado pode obstruir (ocluir) os vasos do cérebro e, em conseqüência, danificar os tecidos cerebrais. A pressão dentro do cérebro (intracraniana) aumenta, causando mais danos extensivos e disfunção.
O abscesso cerebral pode ser uma complicação do abscesso epidural. A infecção crônica do ouvido, sinusite crônica e mastoidite são outras fontes iniciais da infecção que causam um abscesso cerebral. A infecção pode ser causada pela propagação direta de microorganismos através dos ossos do crânio e através das membranas que cobrem o cérebro (meninges).
A infecção também pode se propagar através dos vasos sangüíneos de locais distantes no corpo. As infecções dos pulmões, como empiema ou abscesso pulmonar, são fontes comuns. Outras fontes incluem infecções dos dentes, pele, ossos ou coração. A lesão cefálica (trauma) pode também introduzir microorganismos no cérebro, e a infecção pode ocasionalmente ocorrer após cirurgia no cérebro ou medula espinal. Em cerca de 10% dos casos, a fonte original da infecção não pode ser identificada.
Os sintomas podem se desenvolver gradualmente ou subitamente. Existe, geralmente, pouco ou nenhum sinal de infecção generalizada no corpo (sistêmica). Os sintomas iniciais costumam ser cefaléia (cerca de 50% dos casos), perdas neurológicas (como fraqueza muscular ou perda da sensação) ou convulsões.
Os riscos incluem doenças cardíacas congênitas, como a Tetralogia de Fallot e anomalias congênitas dos vasos sangüíneos dos pulmões, como a doença de Osler-Weber-Rendu. Estes distúrbios levam consigo um alto risco de infecção do coração ou pulmões, que podem então propagar a doença para o cérebro. Outros riscos incluem o uso ilícito de drogas (particularmente intravenosas), infecções crônicas do ouvido, sinusite crônica, infecções que disseminam bactérias pela corrente sangüínea (bacteremia) e qualquer condição que reduza o funcionamento do sistema imune.
Os abscessos cerebrais ocorrem em aproximadamente 1 em cada 100.000 pessoas. Podem atingir pessoas de qualquer idade, raça ou sexo.
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